domingo, 19 de junho de 2011

Nossos Mestres

Por enquanto nosso grupo possui 3 mestres que organizam o grupo, objetivando externar o vasto conhecimento e a vivência de capoeira áqueles interessados numa maior integração com a prática.
- Mestre Abreu: É um dos mestres mais conhecidos do grupo, tendo parado de dar aulas três vezes, voltando agora  depois de uma parada longa de 6 anos. Fundou o grupo Capoeira Baixada, que infelizmente foi desfeito. Sua graduação vem de cordel e não a graduação mais atualizada que nosso grupo adota, que é cordão, portanto hoje ele possui o Cordel Branco-Amarelo. Mestre Abreu foi aluno formado pelo antigo Mestre Valdir Sales em São João de Meriti. 

- Mestre Almeida: É um mestre muito carismático de estilo militar que deu continuidade ao grupo Capoeira Regional Palmares, fundado pelo antigo Mestre Valdir Sales em São João de Meriti. Assim como mestre Abreu, mestre Almeida foi formado pelo Mestre Valdir Sales, hoje afastado da capoeira com sua residência em sua terra natal, Ubá - MG. Sua graduação também vem de cordel assim como o mestre Abreu. Hoje ele possui o Cordel Branco-Azul.

- Mestre Everaldo: É o mestre mais antigo do grupo e com mais tempo de vivência da capoeira. Possui 49 anos de capoeiragem. Sua graduação é a mais alta do grupo e da Federação, onde hoje é adotado o cordão. Mestre Everaldo possui o Cordão Branco 4° Grau - Lacre Branco, categoria dada ao capoeirista mais antigo da FCERJ (Federeção de Capoeira Estadual do Rio de Janeiro).
Da esquerda para a direita: Mestre Everaldo, Mestre Abreu e Mestre Almeida.
No nosso grupo, também possuímos Mestres que são os administradores do grupo. São eles: Mestre Marcondes Portela (Rouco), Mestre Renato (Língua-Preta) e o Mestre Richardson Almeida (Blindado). Também temos o conhecido Contra Mestre Ivens de Souza (Caxanga)
Biografia de Marcondes Portela:
Marcondes Portela dos Santos, nascido no Rio de Janeiro, iniciou-se na Capoeira nos anos 90 com seus primos Lingua-Preta e Ricardo cabeça.
Vamos rever brevemente a temática de sua vida com a capoeira. Primeiro, a vivência dos tios e irmãos com a capoeira na juventude,o que não foi absorvida a ponto de fazer ebulir dos seus corpos maior desejo e ele como mesmo se descreve “feio, magrelo, baixo e dentuço” observava sem despertar nenhum tipo de interesse, pois o futebol e a rua eram mais atrativos.Isso, claro implica muita coisa no seu futuro com a capoeira.

Ao passar do tempo percebendo a desigualdade racial que tem existido no Brasil desde a abolição da escravidão, e que o negro precisava ser auto-valorizar não só através da escola, que nem sempre conta a história real sobre o maior crime da humanidade (escravidão) mas sim, se situar historicamente no que você representa e faz para você e sua raça evoluir, o professor Marcondes,entre os anos de 1990-1991, realizou um curso de SILK-SREEN  no Colégio Estadual Jardim Meriti e lá conheceu uma pessoa chamada Richardson. Esse sim, foi o "cara" que lhe apresentou a CAPOEIRA.

almeida.jpg
Depois de vários convites  foi um Domingo à tarde conhecer a arte que iria mudar seu conceito sobre vida, atitude, disciplina e etc.Como conta:
“– Não fui só, levei comigo meus primos Renato (hoje contra-mestre Lingua-Preta) e Ricardo (cabeção).Num terreno acimentado num fundo de um Quintal lá estavam eles com suas roupas brancas que pareciam vendedores de cuscuz, junto deles se destacava um senhor forte com estilo militar conhecido como Mestre Almeida e o grupo deles se chamava CAPOEIRA REGIONAL PALMARES formado pelo antigo Mestre Valdir Sales. Acompanhando o ritmo da roda estava Mestre Leitinho, Mestre Aparício, Contra-mestre Ratão e vários alunos graduados como Mesquita, Carlinhos e outros que fogem da memória no momento.Fiquei encantado...meus olhos não piscavam, o ritmo da roda era São Bento Grande,os golpes giratórios e floreios.Richardson se lembra bem,ele era mais um aluno iniciante, na época com pouca motivação na capoeira, mas ele tinha um fardo pesado, era filho do Mestre Almeida.
A fidelidade, dignidade, responsabilidade e autoridade faziam parte do cardápio daquele grupo, me matriculei!As aulas eram terças e quintas e a roda aos domingos. Passeios, batizados,festas e aulas fizeram parte na minha vida na capoeira e o meu objetivo é vivenciar tudo isso novamente com meus alunos.”
Ritmo acelerado, corridas na rua, treinos de  equilíbrio e flexibilidade exaustivamente, assim eram as aulas no grupo Palmares,  pois era o perfil dos alunos daquele grupo. Antes o batizado se chamava exame de capoeira, como se fosse uma prova prática onde você deveria demonstrar para um grupo de Mestres  que você realmente merecia aquela graduação.

As graduações eram:

- verde (aluno)
- verde-amarelo
- amarelo
- amarelo-azul (instrutor)
- azul (professor)
- azul-verde-amarelo (contra-mestre)
- branco (mestre)

Depois de um ano treinando veio seu primeiro exame de capoeira aonde a prova seria:jogo de roda,canto e técnicas no saco e instrumento. Seu primo, Renato língua-Preta foi tão eficiente na capoeira que pegou o verde-amarelo direto e ele , hoje professor Marcondes (Rouco), com muitas limitações e meio desastrado ficou com a verde.Não perdendo a  motivação de continuar treinando,o que aumentou mais.Treinava em casa,na rua, na escola...sua vida  era capoeira:
“- Não podia ver nenhum filme de luta que ficava maluco!Naquela época percebi que a capoeira me fazia feliz, abdicava de determinados divertimentos para os meninos da minha idade para me dedicar à capoeira. Ainda na primeira graduação já cantava, tocava instrumentos e jogava angola e regional; domingo á tarde era a grande roda, eu ficava ansioso para demonstrar para todos o que havia aprendido.Vi muitos chegarem e partirem, mestre formado, alunos trocando de academia como quem troca de roupa, mas eu estava ali na CAPOEIRA REGIONAL PALMARES.Mestre Almeida era pai, amigo e capoeira e ensinava com paciência tendo a metodologia necessária a um verdadeiro professor.Almoçava capoeira, jantava capoeira, capoeira era tudo.
Veio o segundo batizado...peguei o cordel verde e amarelo, disputei meu primeiro campeonato infanto juvenil de capoeira e comecei a criar asas. Visitei rodas, conheci capoeiristas, mestres e fui fazendo meu nome, sempre junto com o lingua-preta;  “era eu era meu mano, era mano era eu “... Cabe destacar alguns mestres neste momento como:Mestre Souza, Tião, Serpente, GILSON, Abreu e alguns professores como Palhaço, Corujão, Magal, Cara-preta etc... Alguns alunos, sempre presentes nas rodas que rolavam atritos... Saci (Gilson), Cabana, Boró (falecido) Saci (Abreu) Marquinho meia-lua etc...”
O professor Marcondes nos outros batizados ou exames de cordel tradicional no Palmares ,pegou cordel Amarelo e a  responsabilidade aumentou, precisando treinar para tirar o peso da corda da cintura.Amarela era corda de Instrutor e Língua-Preta não fez exame, pois tinha abandonado Palmares e começado sua jornada pelo mundo da capoeira.Neste período, Rouco, aliava sua conclusão do Ensino Médio a apresentação de capoeira na Casa de Show Plataforma I  na Gávea  e ainda ministrava aulas na escola IESJOM, onde foi sua  primeira turma de alunos na capoeira. Chegou à faculdade...UFRRJ ,Ed.física 1995 e a capoeira o destacava,sendo monitor da disciplina e bolsista de alimentação e devido à arte formou um grupo na Rural (“saudades mil...”)


contra-mestre rouco.JPG
ROUCO fundou a Capoeira no Coração, hoje presente em varias escolas da Baixada Fluminense no estado do Rio de Janeiro. São cerca de 350 capoeiristas, seguindo a filosofia, doutrinas, normas e fundamentos ditados pelos Mestres do grupo.
Mestre Rouco sempre deu ênfase à profissionalização da Capoeira, pois desde o seu primeiro emprego até hoje, sobrevive fazendo o que mais gosta: ensinando capoeira. Rouco que é formado em educação física apóia projetos de entidades que têm como fundamento, reverter à situação de miséria e abandono verificada em comunidades carentes. Em sua associação há profissionais capacitados para realizar trabalhos em escolas públicas e particulares, universidades, clubes, academias, condomínios e comunidades carentes.
“A capoeira me escolheu e eu vou corresponder conforme o toque do berimbau, pois a memória de grandes mestres e grandes escravos que morreram pela nossa liberdade depende de cada um de nós.”
Mestre Rouco



IVENS SANTOS DE SOUZA
C.MESTRE CAXANGA


YÊ CAPOEIRA! Sou professor de Educação Física Ivens Santos de Souza, e também professor de Capoeira (CAXANGA). Relato um pouco da minha história, essa caminhada que percorri até a vitória chamada Capoeira no Coração.
Com seis anos minha mãe me matriculou no Jiu Jitsu, mas ao chegar à academia ouvi um som de berimbau, lembro que minha mãe perguntou se eu queria capoeira ou Jiu Jitsu, escolhi o Jiu Jtsu. Nesta atividade eu fiquei por mais sete anos, mas antes de sair do Jiu Jitsu eu conheci o lendário capoeirista chamado CABANA, ele é o motivo, pode se dizer, que foi a referência, em que segui por todo o meu aprendizado como aluno.



Eu e minha irmã mais velha (SARDINHA) hoje também capoeirista, ao lado após uma competição na gávea, um amigo, eu e minha irmã mais nova (COSTELA) também capoeirista!
Conheci o Cabana quando mudei para Éden, num certo dia sentado no portão de casa, reparei no final da rua onde eu morava, um negro utilizando movimentações acrobáticas, e ao mesmo tempo agressivas. Movimentações esta, que lembra o filme “DANÇA DE GUERRA” era uma luta, uma dança, não acho que era uma encenação. Pronto, acabo de definir foi o meu chamado para a capoeira, a partir daí eu me aproximei dele e falei do interesse em aprender “aquilo que eu via toda à tarde no final da rua”, digo aquilo, por que no momento eu não poderia distingui o que era aquela apresentação para meus olhares.
Então Cabana me leva para aprender a capoeira no Grupo São Bento com o mestre Souza, os treinos eram na Associação de Moradores do Cosmorama/Mesquita. Isso foi num domingo, após uma caminhada de Éden até o Cosmorama, num tempo estimado de 40 min de ansiedade para conhecer o mestre e a Capoeira propriamente dita, chegando à academia “era a pronúncia que o mestre gostava de ouvir” fui apresentado ao mestre Souza que me desejou boas vindas e logo após me colocou para gingar a aula inteira. Quando cheguei no Grupo São Bento, encontrei vários capoeiristas, mas destaco apenas os que deram continuidade: mestre souza, quinha, cabana, gigante, reginaldo-lixão, cabral, gueca. Houveram muitos outros capoeiristas que tiveram influência na minha formação, mas esses vieram depois de mim e não me viram gingar como os Capoeiras em destaques.
O treinamento que recebíamos nas aulas do mestre Souza, era um treinamento para combate, não chega nem perto de um treinamento para competição e muito menos apresentação de Capoeira. Lembro o dia do nosso aniversário, onde o presente era pancada até eles decidirem se estava bom, ou se o capoeirista desmaia-se antes. Chegar atrasado, atrapalhar a aula do mestre lhe custava um corredor, onde o penalizado deveria passar correndo entre os capoeiristas e os mesmo aplicavam golpes de soco e pontapés. Não sendo o bastante, quando ninguém vinha visitar nossa roda “a visita para nós eram como um saco de pancada” a pancada comia entre nós mesmos.
Mas eu não posso julgar o método de ensino que meu mestre aplicava em seus alunos, eu estava ali para treinar, e sendo esta a condição para que eu ficasse parecido com o estilo do Cabana pra mim aquilo era normal. Portando o mestre Souza teve seus fieis seguidores em seu estilo arrochado e agressivo no método de ensino da Capoeira, e também tiveram aqueles que contestam a capoeira até hoje, por que lhes foi apresentado uma capoeira totalmente contraditória ao que a Capoeira no Coração desenvolve. Portanto, agradeço ao meu mestre por tudo que aprendi e aprendo com ele até hoje, sendo informações construtivas para a minha evolução na capoeira e outras que tenho que avaliar e reconstruir de uma maneira pedagógica. Neste momento, ainda que ele não saiba disso, o Cabana “como eu sei que sou hoje para meus alunos”, é a figura mais importante nessa história descrita até aqui, em começar pelo nome Caxanga oriundo do nome Cabana, fui batizado por este nome por ter um jogo bem parecido com o dele (que não poderia ser diferente). Finalizo este parágrafo com um sorriso de agradecimento e conquista, pois você me levou para a Capoeira e me mostrou o caminho da mandinga, e depois me presenteou com o nome de Caxanga fazendo com que eu não tenha como se esquecer de onde foi derivada minha Capoeira! Obrigado e Axé para ti meu camarada!






MEU SEGUNDO BATIZADO


Eu e é claro recebendo o diploma do meu padrinho de Capoeira Cabana, e ao lado minha mãe dona Solange “sempre presente em minhas vitórias”, sendo madrinha do Cabana!



É mestre, fico feliz em poder dizer que sou aluno e professor oriundo da mesma raiz! Diferente de outros que trocam de mestre como quem troca de roupa, sem o menor constrangimento. Professores trocam de mestre para subir de “graduação”, mestres trocam de mestres procurando status. Alunos e formados saem de grupos não para vencer sozinho, mas para ficarem com mais força na retaguarda. Como disse a lua: a cintura que o mestre Bimba desprezou, vocês amarram com um cordão esperando com isso virar mestre. Hoje existe o “mestre Camaleão” que troca a cor do cordão conforme a sua conveniência.
Não precisei entrar na história de outro grupo de Capoeira para poder da continuidade na minha, e nem trocar de mestre para ganhar meu espaço dentro da Capoeiragem, também sei que não sou nenhum Besouro Mangangá, por que sou o Caxanga.



Entramos num período onde o grupo recebeu capoeiristas com visão de crescimento. Sendo eu monitor, comecei a dar aula na quadra de uma igreja próximo onde  moro, mas utilizando uma metodologia focada para o aprendizado da capoeira como formação cultural e social.  
       
Desta turma saíram bons capoeiristas, visualizando a foto ao meu lado direito como sempre está o aluno iniciante, e que agora é o graduado Tiago Papudo. Passado alguns anos, entrei na faculdade para cursar Educação Física, e mesmo antes de me formar fui convidado pelo contramestre Rouco para criarmos o projeto capoeira no Coração. Colocamos o projeto em prática e começamos o processo de divulgação. Pode se dize que tivemos muitos capoeiristas interessados no projeto, mas quando se confrontaram com a batalha que estava iniciando, todos se afastaram. Mas acreditamos, com a nossa Capoeira voltada para a metodologia psicomotora da criança e do adolescente, desenvolvemos a capoeiragem nas mais importantes instituições de ensino da baixada fluminense.
   





Como eu disse, com eles iniciamos o que hoje podemos chamar de Grupo Capoeira no Coração!






Hoje professor Caxanga, observo a Capoeira na sua prática luta que procura não exercer uma confrontação direta entre seus adversários. Procura em forma circular, criar espaço que conduzem a possibilidade de enlaçar, pela força “hipnótica” o companheiro, e sem que este perceba o que vai acontecer, como uma formula mágica que atua no adversário de forma a atraí-lo, envolvendo-o num todo. A Capoeira não puxa, não provoca choque, ela é algo mais profundo: ela atrai a quem ela quis provocar.
A força do capoeirista veio da interiorização progressiva dos escravos, ditada pela necessidade de criar esquemas de defesa física, e da necessidade óbvia de alcançarem uma perfeita disciplina espiritual para suportar com paciência todas as dificuldades de resistências e sobrevivência a que estavam sujeitos, obrigados a resistir heroicamente aos perseguidores e algozes. Associada a fé religiosa da magia, deu-lhes uma iluminação, foca de que nos momentos de total dificuldade, se valia com o poder de sua oração, para se transformarem num pé-de-mato e desaparecerem da vista daqueles que tentavam aprisioná-los.
A capoeira difere de qualquer outra luta arte marcial já conhecida, alem da musica que acompanha a sua prática, em estado de defesa pessoal o emprego do corpo humano é total, numa repetição dinâmica e intensa, forma a chamada “memória muscular”, com a qual todo o corpo se torna um instrumento de morte, fora das regras, no uso como defesa pessoal é de fato uma luta “suja”, onde as mais diversas “espertezas” e” safadezas” podem ser usadas.
Por fim, finalizo a minha trajetória até aqui, mas deixo em aberto meu arquivo neuropsíquico para as informações que ainda virão com esse extraordinário mundo da Capoeira no contexto escolar e acadêmico, peço proteção, orientação e força aos meus mentores na Capoeira e mando axé para os meus filhos que pisam na sobra da minha ginga, pois os grandes dizem que a ginga é a alma do Capoeirista!        
    


Um comentário:

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